Resumo dos impactos
- BHIA3 encerrou a R$ 2,85 em 20/04/2026, alta de 6,74%, saindo de R$ 2,67 no pregão anterior.
- Conselho aprovou aumento de capital de R$ 93,6 mi via conversão de debêntures em 13/04; total de ações sobe para 975,8 milhões.
- Parceria com Amazon, formalizada em fato relevante de 23/03, completa presença em MercadoLivre, Shopee e Amazon simultaneamente.
- No 4T25, Ebitda ajustado avançou 29,1% a/a, dívida líquida caiu 75% e alavancagem recuou de 1,9x para 0,4x Dívida Líquida/Ebitda.
- XP Research mantém recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 3,80 para 2026; BTG Pactual projeta R$ 3,06 com visão igualmente cautelosa.
Casas Bahia (BHIA3) sobe 6,74% em ambiente de recomposição narrativa: parcerias digitais e reestruturação de capital sustentam o rali
BHIA3 acumulou um conjunto de catalisadores corporativos ao longo de março e abril que, com base em notícias das últimas semanas, alimentou a valorização de 6,74% registrada no pregão de 20 de abril. O gatilho mais imediato foi a aprovação, pelo Conselho de Administração em 13 de abril, do aumento de capital de R$ 93,6 milhões decorrente da conversão de 25,2 milhões de debêntures da 2ª série da 11ª emissão em ações ordinárias. Com a operação, o capital social passou a R$ 7,124 bilhões e o número de papéis avançou de 950,6 milhões para aproximadamente 975,8 milhões. O movimento reforça a trajetória de desalavancagem que domina a leitura do papel há três trimestres consecutivos.
O pano de fundo operacional que sustenta esse fluxo de compras é mais amplo. Em março, a companhia divulgou balanço do 4T25 com Ebitda ajustado de R$ 826 milhões, alta de 29,1% frente ao mesmo período do ano anterior, e margem Ebitda de 9,8%, avanço de 1,8 ponto percentual na comparação anual. No mesmo período, a dívida líquida caiu 75% na base anual, chegando a R$ 1,13 bilhão, e a alavancagem recuou para 0,4x Dívida Líquida/Ebitda. Em paralelo, a companhia concluiu a segunda emissão de cotas do GCB Fornecedores FIDC, captando R$ 200 milhões em 24 de março de 2026 para suporte às operações de risco sacado com fornecedores — trocando passivo de curto prazo por estrutura mais longa. Na frente digital, a parceria com a Amazon foi formalizada em fato relevante à CVM em 23 de março, expandindo o portfólio da varejista a mais um dos principais marketplaces do país. Segundo o CEO Renato Franklin, o MercadoLivre respondeu por cerca de 5% da receita digital da Casas Bahia no 4T25, mas foi responsável por quase metade do crescimento do canal online.
O setor de consumo cíclico carrega um risco estrutural relevante para os próximos trimestres: a Selic elevada. A XP Research fundamenta sua cautela no cenário macroeconômico ainda pressionado para bens duráveis e aponta competição acirrada de Shopee, Amazon e MercadoLivre como variável adversa persistente. O BTG Pactual, em relatório sobre os resultados, reconheceu melhora operacional mas afirmou que "juros ainda altos e forte competitividade continuam pesando na tese". No mercado, as ações BHIA3 seguem negociadas a múltiplos bastante descontados frente a pares varejistas, com indicadores como EV/GMV e EV/Receita refletindo prêmio de risco associado à fragilidade financeira e à incerteza sobre a sustentabilidade da recuperação. Há também o risco geopolítico indireto: a guerra de tarifas entre EUA e China pressiona o custo de eletrônicos importados — categoria que representa, segundo a XP Research, 96% das receitas da BHIA, concentradas em eletrônicos, tecnologia e móveis.
O próximo gatilho concreto é a divulgação dos resultados do 1T26. O Safra espera crescimento de 3% na receita líquida em comparação anual e impulso nas vendas do canal 1P após ajustes de sortimento, com contribuição da parceria com o MercadoLivre. O banco projeta prejuízo líquido de R$ 274 milhões para o trimestre, redução expressiva frente ao prejuízo de R$ 408 milhões no 1T25, reflexo da melhora nas despesas financeiras após a conversão de dívida em ações. A segunda fase da parceria com a Amazon — integração logística que tornará os produtos elegíveis ao selo Prime — ainda não tem data definida e representa o catalisador de médio prazo mais aguardado pelo mercado para calibrar a sustentabilidade do crescimento digital da companhia.