Resumo dos impactos
- JP Morgan eleva preço-alvo de SBSP3 de R$ 152 para R$ 200; recomendação overweight mantida.
- Capex projetado de R$ 20 bi em 2026, alta de 31,6% sobre os R$ 15,2 bi investidos em 2025.
- EBITDA de R$ 13,3 bi em 2025, com margem de 60%, apresentado no Sabesp Day de 9 de abril.
- JCP de R$ 583,6 mi com pagamento previsto para 30 de abril de 2026.
- Sabesp eleva plano de investimentos para R$ 84 bilhões entre 2026 e 2030.
SBSP3 dispara 4,36% após JP Morgan elevar preço-alvo a R$ 200
A revisão de preço-alvo pelo JP Morgan foi o gatilho imediato: após o banco elevar a estimativa dos papéis, as ações da companhia de saneamento operavam em alta já no início do pregão de 20 de abril, atingindo R$ 175,86 com avanço de 4,26% por volta das 16h. O fechamento ao fim do dia confirmou a força do movimento, com SBSP3 encerrando em R$ 176,04 — variação de +4,36% sobre os R$ 168,68 do pregão anterior.
O JP Morgan elevou o preço-alvo das ações de R$ 152 para R$ 200 até o fim de 2026 e manteve recomendação de compra (overweight), destacando a Sabesp como principal escolha no setor de utilidades. O banco projeta crescimento de 6% no EBITDA para 2026-2027, acima do consenso de mercado. Com base em notícias e nos dados divulgados durante o Sabesp Day, em 9 de abril, o JPMorgan entende que o capex pode gerar valor relevante e que a base de ativos regulatórios pode dobrar, atingindo cerca de US$ 40 bilhões até 2030. A tese de endividamento, tradicionalmente um ponto de preocupação, foi requalificada pelo banco: a Sabesp figura entre os poucos nomes do setor capazes de entregar crescimento expressivo de EBITDA de forma orgânica e previsível, e os analistas consideram a trajetória de endividamento da companhia como controlada — mesmo com a aceleração dos aportes.
Os dados operacionais sustentam essa leitura. No Sabesp Day 2026, a empresa registrou EBITDA de R$ 13,3 bi em 2025, com margem de 60%. No mesmo exercício, o Capex alcançou R$ 15,2 bi — ante R$ 6,9 bi em 2024 — e a companhia indicou expectativa de cerca de R$ 20 bi para o ano corrente. A eficiência operacional avançou em paralelo: após a privatização, dois programas de desligamento voluntário resultaram em cerca de 3.600 adesões e redução do quadro para aproximadamente 9 mil colaboradores, com adoção de remuneração baseada em desempenho. No front de remuneração aos acionistas, a companhia comunicou ao mercado a distribuição de proventos no valor de R$ 583,6 milhões, com pagamento previsto para 30 de abril de 2026 — reforçando o compromisso com a remuneração dos investidores após a privatização concluída em 2024.
No panorama do setor de utilidades, a Sabesp consolidou posição singular entre as empresas de saneamento listadas na B3. A maior empresa de água do mundo em número de consumidores, com receita de R$ 24 bilhões em 2025 e 17,6 milhões de ligações de água e esgoto, encerrou 2025 como o primeiro exercício pleno sob gestão privada. O risco regulatório-hídrico, porém, permanece no radar. Na visão dos analistas do JP Morgan, a nova estrutura regulatória passou a oferecer proteção financeira contra variações no volume de vendas, e a empresa deixou de operar como um negócio "puro" de volume para contar com uma espécie de colchão regulatório. Ainda assim, a exposição hidrológica — evidenciada pela queda de 6,3% que os papéis acumularam nos cinco pregões anteriores ao relatório do banco, motivada por temores sobre os reservatórios do Cantareira — demonstra que oscilações climáticas continuam sendo o principal fator de incerteza não precificável do modelo. A combinação de juros básicos elevados no Brasil (Selic em dois dígitos) com um capex recorde financiado majoritariamente por dívida — a dívida bruta subiu de R$ 25,26 bilhões em 2024 para R$ 40 bilhões ao fim de 2025 — adiciona pressão sobre o custo de capital e pode condicionar as margens à medida que os vencimentos se aproximam.
O próximo gatilho concreto é a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. A Sabesp espera atingir a universalização no interior de São Paulo até 2028; na região metropolitana, o prazo segue até 2029. A execução desse cronograma, e qualquer revisão de tarifas pelo regulador, serão os termômetros que o mercado usará para calibrar se o preço-alvo recém-elevado pelo JP Morgan tem espaço para se materializar dentro do horizonte projetado.