Resumo dos impactos
- JPMorgan rebaixa BRSR6 de neutro para underweight; preço-alvo fixado em R$ 15 para dezembro de 2026.
- Banco projeta queda de 22% no lucro do Banrisul em 2026 e ROE entre 10% e 11% nos próximos dois anos.
- Custo de risco estimado em 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, ante 2,0% registrado no ano anterior.
- Inadimplência no Rio Grande do Sul deteriora acima da média nacional desde 2024, segundo Banco Central.
- Incerteza sobre renovação do contrato com o governo estadual amplifica o risco da tese de investimento.
Banrisul (BRSR6) recua 3,3% após JPMorgan rebaixar papel para underweight
O JPMorgan rebaixou nesta segunda-feira (20) a recomendação do Banrisul (BRSR6) de neutra para underweight — equivalente à venda — e definiu preço-alvo de R$ 15 por ação para dezembro de 2026. A decisão derrubou os papéis 3,3% no pregão, de R$ 16,65 para R$ 16,10, consolidando uma sequência de revisões negativas que se acumulam sobre o banco gaúcho desde meados de abril.
O relatório do banco norte-americano apoia-se em três eixos. O JPMorgan projeta retorno sobre o patrimônio ao redor de 11% entre 2026 e 2027 e estima queda de 22% no lucro em 2026 — ainda que parte desse recuo reflita uma base de comparação mais forte em 2025. O resultado reforça a leitura de um banco pressionado por crédito, rentabilidade e custos. Em paralelo, com base em notícias reproduzidas pelo BPMoney, os analistas do JPMorgan projetam custo de risco em 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, acima dos 2,0% registrados no exercício anterior. O segundo vetor é estrutural: o JPMorgan vê uma estrutura de custos pesada, desequilíbrio que reduz o retorno sobre o patrimônio e dificulta qualquer melhora consistente no desempenho. O terceiro é competitivo: os analistas apontam que bancos estatais enfrentam mais dificuldade para competir com instituições digitais, que operam com estruturas mais leves e maior flexibilidade.
O panorama setorial agrava a tese. Na visão do banco norte-americano, o mercado passou a questionar se a piora do crédito no Rio Grande do Sul é apenas pontual ou se já aponta para um desgaste mais persistente. Esse temor ganha peso porque, desde 2024, dados do Banco Central mostram deterioração relevante da inadimplência no estado, sobretudo entre pessoas físicas e empresas, em ritmo superior à média do sistema financeiro. A isso se soma uma variável política de alta sensibilidade: a renovação do contrato com o governo estadual adiciona incerteza à tese de investimento no Banrisul, segundo o JPMorgan. Bancos regionais, com maior exposição a servidores públicos e crédito local, tendem a sentir esse impacto com mais força. O JPMorgan manteve o Itaú Unibanco (ITUB4) como sua principal escolha no setor — banco que, segundo a instituição, continua se destacando pela qualidade superior dos ativos e pela rentabilidade mais elevada em relação aos pares.
A queda desta segunda-feira não ocorre em isolamento. O UBS BB já havia rebaixado a ação de neutra para venda, com preço-alvo de R$ 15, citando compressão crescente de tarifas impulsionada pela concorrência de fintechs. O BTG Pactual também migrou para venda no mesmo nível de preço, com expectativa de que o banco reporte um trimestre fraco, lucro líquido de aproximadamente R$ 210 milhões e ROE de 7,5%, significativamente abaixo das estimativas de mercado. O movimento do JPMorgan em 20 de abril encerra, portanto, um ciclo de três rebaixamentos consecutivos por grandes casas em menos de uma semana — coordenação rara no sell-side brasileiro e que tende a produzir efeito amplificado sobre o papel.
O próximo gatilho concreto é a divulgação dos resultados do 1T26. O desempenho esperado reflete deterioração da qualidade de ativos, com aumento da inadimplência e maior custo de crédito, além de crescimento limitado da carteira e pressão de provisões diante de menor recuperação de créditos. Se os números confirmarem as projeções do BTG e do JPMorgan, a pressão vendedora sobre a BRSR6 deverá se intensificar — e a distância entre o preço corrente e o preço-alvo de R$ 15 das três casas permanecerá no centro do debate.